Copa do Mundo: expectativa para a grande final do Mundial entre Espanha e Argentina
Uma fotomontagem da estrela espanhola Lamine Yamal vestindo a camisa da seleção brasileira, acompanhada da frase “a esperança do povo brasileiro”, viralizou nas redes sociais às vésperas da final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, marcada para domingo (19).
Torcer contra a Argentina tornou-se um fenômeno recorrente entre fãs de futebol na América Latina durante o torneio.
Memes, piadas e críticas se multiplicam nas redes, alimentados não apenas pela histórica rivalidade entre o Brasil de Pelé e a Argentina de Diego Maradona e Lionel Messi, mas também por outras questões que cercam a seleção albiceleste.
Em países como México, Colômbia, Equador e Chile, muitos torcedores esperam ver os atuais campeões derrotados.
Espanha e Argentina jogam a final da Copa do Mundo de 2026 neste domingo (19).
Reuters
Das redes sociais para as ruas
Tradicionalmente, seleções latino-americanas que avançavam nas Copas do Mundo costumavam receber apoio de torcedores de toda a região. Segundo o sociólogo colombiano Germán Gómez, em entrevista à AFP, essa “dinâmica de solidariedade” se rompe quando o assunto é a Argentina.
Para ele, trata-se de um fenômeno típico da era digital, marcado pela disseminação de narrativas nas redes sociais que associam a equipe comandada por Lionel Scaloni à Fifa e ao seu presidente, Gianni Infantino.
“Argentina teve ajuda”.
“Eu acho que a Argentina está sendo muito favorecida, que existe uma boa vontade da Fifa em relação à Argentina”, afirma Francisco Santos, torcedor brasileiro que troca figurinhas da Copa em um shopping de São Paulo. Na cidade, também foram ouvidos gritos de comemoração após o gol da Inglaterra contra a equipe de Messi nas semifinais.
Se o Brasil não conseguiu conquistar o hexacampeonato, ele não hesita: “Prefiro ver a Espanha bicampeã do que a Argentina tetracampeã”, diz, sorrindo, o homem de 42 anos.
A questão arbitral
As decisões da arbitragem têm sido alvo constante de críticas, inclusive em lances considerados corretos por especialistas.
“Isso é o bonito do futebol: a polêmica. Messi é uma lenda, é reconhecido e joga muito. Talvez até mereça ser bicampeão, mas não desse jeito”, afirma Antonia López, policial de 51 anos, na Cidade do México.
A imagem da Argentina também foi afetada por acusações de racismo envolvendo torcedores e jogadores, além da repercussão dos cantos ofensivos contra atletas franceses após a final da Copa do Catar, em 2022.
Nesta Copa do Mundo, a Fifa condenou um episódio em que um torcedor argentino disse ao influenciador negro IShowSpeed para ir “chorar no zoológico” durante uma transmissão ao vivo.
“Vou torcer pela Espanha, mas, no meu coração, Messi”, comenta Jeremy Rimachi, torcedor de 22 anos em Quito. Segundo ele, os espanhóis têm jogadores de “qualidade” e “não são tão metidos quanto os argentinos”.
Torcedores argentinos torcem em um bar em Barcelona, Espanha, durante a final da Copa do Mundo entre Argentina e França no Catar, em 18 de dezembro de 2022
Emilio Morenatti/AP
‘Somos insuportáveis’
O próprio Messi, que contou com forte apoio popular durante a campanha do título mundial no Catar, respondeu às críticas.
“Há quatro anos conseguimos o que queríamos: disputar a última partida e ser os melhores durante quatro anos. Mais uma vez mostramos que ninguém nos dá nada de presente”, declarou aos jornalistas.
Scaloni reconheceu que os questionamentos chegam ao elenco, mas disse que eles provocam uma espécie de “rebelião” positiva entre os jogadores, motivando-os a elevar ainda mais o nível de desempenho.
A polêmica também foi explorada por uma marca de fernet, bebida muito popular na Argentina. Em tom bem-humorado, a empresa lançou uma campanha baseada nos estereótipos sobre o ego argentino.
Sob o slogan “Somos insuportáveis”, o comercial mostra torcedores de diferentes seleções reunidos em círculos, como em uma sessão de apoio psicológico, reclamando da onipresença dos argentinos e de sua paixão pela seleção. “Não aguento mais eles!”, diz um dos personagens.
Apesar da rejeição observada em parte da América Latina, a chegada da seleção argentina a países da região para partidas das Eliminatórias costuma mobilizar multidões. O coro de “Messi! Messi!” é frequente.
Nem todos, porém, torcem contra os atuais campeões. Em Lima, o estudante Valentino Tocto, de 20 anos, resume um sentimento ainda presente entre alguns latino-americanos: “Vou torcer pela Argentina porque é um país sul-americano”.








