Pesquisadora de peste na Sibéria morre por causa desconhecida, e Rússia coloca hospital em quarentena

Pesquisadora de peste na Sibéria morre por causa desconhecida, e Rússia coloca hospital em quarentena


Pesquisadores trabalham em laboratório do Instituto Irkutsk de Pesquisa Antipraga da Sibéria e do Oriente, em imagem de 2019.
Instituto Irkutsk de Pesquisa Antipraga da Sibéria e do Oriente via AP
A Rússia colocou um hospital inteiro em quarentena após uma funcionária de um instituto de pesquisa da peste na Sibéria morrer por causas desconhecidas.
O mistério fez com que autoridades colocassem o hospital em que a pesquisadora esteve internada em quarentena para investigar as casuas. E gerou uma onda de temor na Rússia de que a peste possa estar se espalhando pelo país.
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Agentes de saúde também estão monitorando pessoas com quem a pesquisadora manteve contato.
Segundo a rede de TV estatal local, a mulher morreu na semana passada após contrair pneumonia de causa “desconhecida”. As autoridades russas afirmaram não ter encontrado evidências de que a doença tenha sido causada por qualquer um dos patógenos com os quais a pesquisadora trabalhava.
No entanto, o caso gerou alerta na Rússia após relatos não confirmados na mídia sugerirem que ela poderia ter morrido de peste pneumônica — uma forma menos comum, porém grave, da doença, que pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
A mulher trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk, no sudeste da Sibéria. Uma emissora de TV estatal de Irkutsk noticiou na segunda-feira (5) que ela morreu na semana passada em um hospital em Shelekhov, uma cidade nos arredores de Irkutsk.
O hospital foi colocado em quarentena, disse o prefeito Maxim Modin na sexta-feira (2); a unidade não está mais admitindo nem dando alta a pacientes, e seu laboratório suspendeu a realização de exames de rotina. O ambulatório do hospital continuou funcionando normalmente, segundo ele.
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Anna Popova, chefe da agência de vigilância sanitária da Rússia, a Rospotrebnadzor, viajou para Irkutsk e reuniu-se com o governador Igor Kobzev e outras autoridades na sexta-feira.
Kobzev afirmou que todas as pessoas que tiveram contato com a mulher estão sob supervisão médica. Ele não especificou a infecção, classificando o caso como suspeita de “uma infecção particularmente perigosa”.
A Rospotrebnadzor estava implementando “uma gama completa de medidas antiepidêmicas”, acrescentou ele.
A Rospotrebnadzor informou no domingo (4) que a mulher foi diagnosticada com “pneumonia de etiologia [origem] desconhecida” e declarou que testes “extensos” não detectaram “nenhum microrganismo associado às atividades profissionais da paciente”.
A agência também afirmou não ter encontrado incidentes no instituto “envolvendo microrganismos patogênicos”.
Duas pessoas que tiveram contato com a mulher testaram positivo para um vírus causador de resfriado comum, e outras duas, para COVID-19, informou a agência, acrescentando que os demais testados apresentaram resultados negativos.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na segunda-feira que não acredita haver motivo para alarme, mas que os EUA estão acompanhando o caso de perto, cientes de que ele “poderia se espalhar rapidamente”, apesar da quarentena e de outros protocolos de saúde pública.
O veículo de notícias local independente Lyudi Baikala citou fontes não identificadas afirmando que o técnico de laboratório, de 28 anos, morreu de peste pneumônica e que vários hospitais de Irkutsk foram colocados em quarentena.
Questionado na segunda-feira sobre o caso, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o público e a mídia devem acompanhar os comunicados oficiais do Rospotrebnadzor, em vez de “rumores ou especulações”.
O Rospotrebnadzor não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
A Fábrica de Alumínio de Irkutsk, em Shelekhov, exigiu que os funcionários usassem máscaras como medida de precaução; o diretor da unidade, Artyom Fominykh, fez o anúncio no sábado pelo Telegram, pedindo calma e acrescentando: “É melhor prevenir do que remediar”.
👉 A Organização Mundial da Saúde descreve a peste pneumônica como uma forma menos comum, porém grave, de peste — uma doença causada pela *Yersinia pestis*, bactéria geralmente encontrada em pequenos mamíferos e suas pulgas.
“No caso de uma possível exposição em laboratório, seria normal identificar os indivíduos que possam ter sido expostos e monitorá-los de acordo com o nível de risco avaliado”, disse o Dr. Malick Gibani, professor clínico associado de vacinologia bacteriana no Imperial College London.
A escala de qualquer programa de monitoramento dependeria das “circunstâncias da exposição e do número de pessoas potencialmente afetadas”, afirmou Gibani em um comentário por escrito.
Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, disse que “a peste carrega um histórico enorme e ainda está presente em muitas partes do mundo, incluindo a Rússia”, embora, devido às condições de vida modernas e aos antibióticos, “seu potencial seja, portanto, limitado”.

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