Cessar-fogo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio naval dos EUA, diz principal negociador do Irã

Cessar-fogo só faz sentido se não for violado pelo bloqueio naval dos EUA, diz principal negociador do Irã

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira (22) que um cessar-fogo total só faz sentido se não for violado pelo bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos.
Ghalibaf disse, em uma publicação na rede X, que a reabertura do Estreito de Ormuz é impossível diante de uma “violação flagrante do cessar-fogo”.
Navios atacados e apreendidos em Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira (22) que apreendeu duas embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e as direcionou para a costa iraniana.
Os navios são o MSC Francesca e o Epaminondas, que navegavam sob bandeiras do Panamá e da Libéria, respectivamente, segundo comunicado do braço militar iraniano divulgado pela agência estatal Tasnim.
Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, as embarcações “navegavam sem a devida autorização e haviam manipulado seus sistemas de navegação”. “A perturbação da ordem e da segurança no Estreito de Ormuz é nossa linha vermelha”, afirmou o Irã.
O regime iraniano acusou o MSC Francesca de ser ligada a Israel.
O comunicado iraniano ocorre horas após a agência marítima do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês) e a agência de notícias Reuters terem reportado que pelo menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos na região de Ormuz desde a madrugada desta quarta. Veja mais detalhes abaixo.
Os ataques ocorreram horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado uma extensão, por tempo indefinido, do cessar-fogo na guerra contra o Irã. Ele disse que sua decisão ocorreu a pedido do Paquistão, que tem intermediado as negociações para o fim do conflito, e para permitir a continuidade das tratativas com Teerã.
O Irã realiza um bloqueio no Estreito de Ormuz há quase dois meses, desde o início da guerra contra os EUA e Israel, o que causou uma drástica redução na quantidade de embarcações que atravessam o local, que liga os Golfos Pérsico e de Omã.
O regime iraniano já mediou a passagem de alguns navios com pagamento de um “pedágio”, mas afirma que o estreito está fechado “para sempre” para embarcações norte-americanas e israelenses.

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