Passageiros fazem fila para a checagem de passaportes no aeroporto internacional de Atlanta, nos EUA, em 21 de março de 2026.
Jeff Amy/ AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado (21) que pode enviar agentes imigração para monitorar aeroportos dos Estados Unidos caso deputados democratas não aprovem financiar a segurança aeroportuária.
“Se os democratas da esquerda radical não assinarem imediatamente um acordo (…), transferirei nossos brilhantes e patriotas agentes do ICE para os aeroportos, onde eles farão a segurança como nunca se viu antes”, escreveu Trump em uma publicação em sua rede social Truth Social.
“Aguardo ansiosamente para ver o ICE em ação em nossos aeroportos”.
👉 Um projeto de lei para financiar o Departamento de Segurança Interna não avançou na sexta-feira no Senado, em meio a crescentes preocupações com as longas filas para passar pela triagem em alguns dos maiores aeroportos do país.
Os democratas se recusaram a fornecer o apoio necessário para que a medida de financiamento fosse aprovada definitivamente. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York, disse que apresentaria uma medida alternativa no sábado para financiar apenas a Administração de Segurança de Transporte (TSA), que inspeciona passageiros e bagagens em busca de itens perigosos. É provável que essa medida também seja rejeitada, já que os parlamentares realizam uma rara sessão de fim de semana.
Nos bastidores, os esforços para resolver o impasse se intensificaram na sexta-feira, com o czar da fronteira da Casa Branca, Tom Homan, reunindo-se pelo segundo dia consecutivo com um grupo bipartidário de senadores. Os democratas exigem mudanças nas práticas de fiscalização da imigração por agentes federais após as mortes a tiros de Alex Pretti e Renee Good em Minneapolis.
Os parlamentares democratas deixaram a reunião com Homan sem fazer comentários. A senadora Susan Collins, republicana e presidente do Comitê de Orçamento do Senado, afirmou que a Casa Branca ampliou sua oferta na esperança de resolver o impasse, mas se recusou a dar detalhes.
“É uma oferta muito justa e razoável”, disse Collins, acrescentando que esperava que os dois lados se reunissem novamente no sábado. “Mas isso depende de os democratas apresentarem uma resposta.”
O líder da maioria no Senado, John Thune, republicano da Dakota do Sul, disse que vê “espaço para um acordo” surgindo das discussões com a Casa Branca. Mas também questionou se os democratas estavam realmente interessados em chegar a um acordo que fornecesse mais verbas para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
“Isso é uma praga para todos”, disse Thune. “Há pessoas em filas nos aeroportos. Isso precisa ser resolvido. Precisa ser solucionado e, finalmente, estão sendo feitos esforços de boa-fé em todas as questões relevantes.”
No plenário do Senado, Schumer afirmou concordar que a TSA precisa ser reaberta o mais rápido possível — mas não nos termos propostos pelos republicanos, que incluem o financiamento de todo o Departamento de Segurança Interna. Os democratas buscam financiar a TSA enquanto continuam as negociações sobre o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
“Amanhã, os americanos verão a questão com clareza: quais senadores querem reabrir a TSA, pagar os funcionários da TSA e acabar com o caos em nossos aeroportos, e quais senadores vão bloquear o financiamento da TSA mais uma vez”, disse Schumer.
A grande maioria dos funcionários da TSA é considerada essencial e continua trabalhando durante a suspensão do financiamento governamental, mas sem receber salário. O número de faltas começou a aumentar em alguns aeroportos, resultando em tempos de triagem mais longos para muitos passageiros.
Os democratas exigiram uma série de mudanças políticas como parte de um projeto de lei de financiamento, incluindo a exigência de que os agentes do ICE obtenham um mandado judicial antes de entrar à força em residências. Eles também buscam exigir que os agentes usem informações de identificação em seus uniformes e proibir o uso de máscaras.
“O povo americano já não aguenta mais essa agência descontrolada. Precisamos controlá-la. E estamos negociando agora como fazer isso”, disse a senadora Patty Murray, principal democrata na Comissão de Orçamento do Senado.
O governo Trump afirma já ter concordado com diversas mudanças, incluindo o uso ampliado de câmeras corporais, com exceção para operações secretas, e a limitação das atividades de fiscalização civil em certos locais sensíveis, como hospitais, escolas e locais de culto.
Os republicanos também observam que Trump demitiu a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e colocou Homan no comando das operações em Minneapolis, ações que, segundo eles, demonstram a intenção do governo de promover mudanças nas operações do ICE.
O Congresso deve entrar em um recesso prolongado no final do mês, para um feriado de Páscoa de duas semanas. Thune ameaçou manter os senadores em Washington caso o impasse não seja resolvido.
“Não consigo imaginar que entremos em recesso se o governo continuar paralisado”, disse Thune.
Esta reportagem está em atualização.
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